O trabalhador com carteira assinada adquire o direito a férias a cada 12 meses de contrato, o chamado período aquisitivo. Durante as férias, recebe o salário dos dias de descanso acrescido de 1/3, garantido pela Constituição (art. 7º, XVII). Este guia mostra como calcular o valor, como as faltas reduzem os dias, quais descontos incidem e o que muda nas férias proporcionais pagas na saída da empresa.
Quantos dias de férias você tem
O total de dias depende das faltas injustificadas no período aquisitivo (CLT, art. 130):
| Faltas injustificadas no período | Dias de férias |
|---|---|
| Até 5 | 30 dias |
| De 6 a 14 | 24 dias |
| De 15 a 23 | 18 dias |
| De 24 a 32 | 12 dias |
| Mais de 32 | Sem direito a férias nesse período |
Faltas justificadas por lei, como licença médica com atestado e licença-maternidade, não entram nessa conta.
Fórmula do Cálculo de Férias
Para 30 dias de férias, o valor bruto é o salário mais um terço:
Férias = salário + salário ÷ 3 = salário × 4/3
Horas extras, adicional noturno e comissões pagos com regularidade entram na base pela média do período aquisitivo (CLT, art. 142).
Exemplo Prático: Salário de R$ 3.500
O exemplo abaixo usa os valores vigentes em 2026.
Considerando 30 dias de férias, sem dependentes nem outros pagamentos no mês:
- Valor bruto: 3.500 × 4/3 = R$ 4.666,67
- INSS pela tabela progressiva de 2026, aplicada sobre o valor total: R$ 454,83
- IR pela tabela, com desconto simplificado de R$ 607,20: R$ 237,89, zerado pelo redutor da Lei 15.270/2025 para rendimentos de até R$ 5.000
- Férias líquidas: R$ 4.211,84
Na folha real, o resultado muda se houver outros pagamentos no mesmo mês, dependentes ou médias de variáveis. Para simular com os seus dados, use a Calculadora de Férias.
Férias Divididas em Períodos
Com a concordância do empregado, as férias podem ser divididas em até 3 períodos. Um deles precisa ter pelo menos 14 dias corridos, e os outros, pelo menos 5 dias cada (CLT, art. 134, §1º). Cada período é calculado de forma proporcional:
Valor = salário ÷ 30 × dias de férias × 4/3
| Dias de férias | Valor bruto |
|---|---|
| 30 dias | Salário × 1,3333 |
| 20 dias | Salário × 0,8889 |
| 14 dias | Salário × 0,6222 |
| 10 dias | Salário × 0,4444 |
Venda de Dias (Abono Pecuniário)
O empregado pode converter em dinheiro até 1/3 dos dias de férias a que tem direito: 10 dias para quem tem 30, 8 dias para quem tem 24. O pedido deve ser feito até 15 dias antes do fim do período aquisitivo (CLT, art. 143).
O abono e o terço calculado sobre ele não sofrem desconto de INSS nem de IR. Já os dias de férias efetivamente gozados, com o respectivo terço, continuam tributados normalmente.
Exemplo: salário de R$ 3.000, 20 dias de descanso e 10 dias vendidos. (Exemplo com os valores de 2026.)
- 20 dias de férias com 1/3: R$ 2.666,67, com INSS de R$ 215,68 e IR zero pelo redutor
- Abono de 10 dias com 1/3: R$ 1.333,33, sem descontos
- Total líquido: R$ 3.784,32
Prazos: Aviso e Pagamento
O empregador deve comunicar as férias por escrito com pelo menos 30 dias de antecedência (CLT, art. 135) e pagar o valor até 2 dias antes do início do descanso (art. 145).
O pagamento fora desse prazo sujeita a empresa a multa administrativa (art. 153). Em 2022, o STF julgou inconstitucional a Súmula 450 do TST, que mandava pagar as férias em dobro nesse caso (ADPF 501). Por isso, o atraso no pagamento não gera dobro automático.
Quando as Férias São Pagas em Dobro
A empresa tem 12 meses após o fim do período aquisitivo para conceder as férias, o chamado período concessivo. Se as férias forem gozadas depois desse prazo, os dias que passarem do limite são pagos em dobro, incluindo o terço (CLT, art. 137). Essa regra trata do atraso em conceder as férias, que é diferente do atraso em pagar.
Férias Proporcionais na Rescisão
Na saída da empresa, o empregado recebe as férias do período aquisitivo incompleto de forma proporcional: 1/12 por mês de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias (CLT, art. 146, parágrafo único).
Férias proporcionais = salário ÷ 12 × meses que contam × 4/3
Recebe férias proporcionais quem é demitido sem justa causa e também quem pede demissão, mesmo com menos de 1 ano de empresa (Súmula 261 do TST). Na demissão por justa causa, perde as proporcionais, mas mantém as férias vencidas ainda não gozadas.
Exemplo: salário de R$ 3.000, admitido em 10 de março, desligado em 25 de outubro. De 10/03 a 09/10 são 7 meses completos, e de 10/10 a 25/10 são 16 dias, que contam como mais um mês. Total: 8/12. (Exemplo com os valores de 2026.)
3.000 ÷ 12 × 8 × 4/3 = R$ 2.666,67
Com aviso prévio indenizado, o período do aviso é somado ao tempo de serviço e pode acrescentar meses. As férias indenizadas na rescisão não sofrem desconto de INSS nem de IR. Veja o cálculo completo na Calculadora de Rescisão.
Férias Coletivas
A empresa pode conceder férias ao mesmo tempo para todos os empregados ou para setores inteiros. As regras principais (CLT, arts. 139 a 141):
- Podem ser divididas em até 2 períodos por ano, nenhum com menos de 10 dias.
- A empresa deve comunicar com 15 dias de antecedência o órgão local do Ministério do Trabalho e o sindicato da categoria, e afixar aviso no local de trabalho.
- Quem tem menos de 12 meses de empresa recebe férias proporcionais, e um novo período aquisitivo começa a contar.
Como Usar o Dinheiro das Férias
Como o terço eleva a renda do mês, vale decidir o destino antes de receber. O pedido para receber a primeira parcela do 13º junto com as férias precisa ser feito em janeiro e concentra dois pagamentos no mesmo mês. Para quem não vai viajar, vender 10 dias pode ajudar a quitar dívidas com juros altos, já que o abono não tem descontos. O que sobrar pode reforçar a reserva de emergência em uma aplicação com liquidez diária.
Perguntas Frequentes sobre Férias
O que acontece se a empresa não conceder férias no prazo?
Os dias de férias gozados depois do fim do período concessivo são pagos em dobro, com o terço também em dobro (CLT, art. 137).
A empresa pode pagar as férias com atraso sem pagar em dobro?
Desde a decisão do STF na ADPF 501, em 2022, o atraso no pagamento não gera dobro automático. A empresa continua sujeita a multa administrativa e deve pagar o valor corrigido.
Faltas reduzem as férias?
Sim. A partir de 6 faltas injustificadas no período aquisitivo, os dias de férias diminuem de forma escalonada, e com mais de 32 faltas o direito naquele período se perde.
Posso tirar férias durante o aviso prévio?
A Justiça do Trabalho entende que férias e aviso prévio não devem coincidir, porque têm finalidades diferentes. As férias vencidas e proporcionais ainda não gozadas são pagas na rescisão.
Horas extras entram no cálculo das férias?
Sim, quando são habituais. A média das horas extras do período aquisitivo integra a remuneração usada no cálculo (CLT, art. 142, §5º).
